RESENHA: Amor Real (2003)

Elenco da novela - Foto: Reprodução/Televisa



















Existem novelas e existe 'A' novela. Se posso definir um melodrama que merecidamente pode ser precedida por um 'a' em maiúsculas é a trama mexicana Amor Real, que ao meu ver, saiu com a mais absoluta perfeição; desde a escolha do elenco, a adaptação da trama, a trilha sonora, cenário, direção de câmeras, figurinos e produção.

Amor Real foi produzida em 2003 pela Televisa através dos olhos da produtora Carla Estrada, que na época era considerada a melhor do gênero na emissora. A produtora foi a responsável por grandes êxitos seguidos no Canal de las estrellas - "Maria Isabel" (1997), "El privilegio del amar"(1998/99) e "Manantial" (2000/01).


Todas essas tramas citadas anteriormente foram protagonizadas pela atriz Adela Noriega e foram enormes êxitos tanto em audiência como de crítica. Adela, naquela época, já era apontada pelo público e a mídia como a rainha das telenovelas mexicanas. Depois, foi integrado ao elenco para ser par romântico da atriz, o ator Fernando Colunga. Que viu neste trabalho a oportunidade de mostrar que era mais que um rostinho bonito e grandes músculos e que sabia fazer um “mocinho” com caráter forte e determinado (diferente dos seus personagens em novelas anteriores como A Usurpadora e Maria do Bairro).

Além do casal principal, nomes de peso também se juntaram a Carla Estrada; Mauricio Islas, Chantal Andere, Helena Rojo, Hernesto Laguardia e Ana Martin somaram-se a produção televisiva e trouxeram cada um, talento e magia aos seus personagens.

A novela em si possui ainda os grandes elementos de uma trama mexicana, ou seja, muito romance e poucos personagens. Mais o diferencial dela foi o enredo e seus personagens. Estes, por exemplo, apesarem de verem suas historias girarem de forma direta ou indireta aos protagonistas (o que é algo característico das novelas latinas) possuíam também as suas próprias histórias. É uma unanimidade quando falam sobre os personagens e a escolha do elenco, não tinha um personagem que você falaria: "-Deveria ser outro ator, esse tá ruim de mais!". Todos estavam perfeitamente caracterizados.


Quando falo da história, que foi magistralmente adaptada, devo dar os créditos a escritora Maria Zarattini. A mesma conseguiu adaptar uma obra já produzida para a TV de uma maneira incrível, já que Bodas de Odio (novela em que foi baseada Amor Real) é considerada uma das clássicas novelas daquele país. Produzida em 1983, Bodas de Odio, foi um dos marcos de um dos grandes mestres produtores da TV mexicana, Ernesto Alonso. Cabe apontar, que a mesma é baseada na obra literária homônima da grande escritora Caridad Bravo Adams que ambientou a trama no México pós-independente.


Figurino da novela era um dos mais caros - Fotos: Reprodução/Televisa 
A trama narra à história de Matilde Peñalver (Adela Noriega), que para desespero de sua mãe Augusta, acaba se apaixonando por um simples militar, Adolfo Solís (Mauricio Islas). O que Matilde inicialmente não tinha a devida noção era que a situação financeira de sua família era critica e que por isso sua mãe e seu pai contavam com seu casamento que deveria ser com alguém de posição social elevada, para assim, conseguir salvar às finanças da família. Matilde era sonhadora e romântica, acreditava que casar por amor era o certo e lutaria para que o seu desejo fosse realizado.

Neste mesmo período inicial, vemos a ascendência social de Manuel Fuentes Guerra (Fernando Colunga), um simples médico, filho bastardo de uma camponesa e de um grande fazendeiro. Que ver sua vida mudar quando é reconhecido pouco antes da morte do pai. Além de herdar toda a fortuna dos Fuentes Guerra o mesmo acaba conhecendo e se encantando por Matilde.

Sem saber que ele é filho bastardo, Ausgusta, junto com seu outro filho Humberto, criam um plano para separar Matilde de Adolfo, ao tempo, que decidem juntá-lá à Manuel. A partir deste momento os indivíduos desse triângulo amoroso viverão uma grande história, uma história real.

Adela e Fernando em cenas da novela - Foto: Reprodução/Televisa
Eu comparo a trama da novela com outras tão comuns em livros de romance épico. Do tipo de escritoras atuais como Julia Quinn e Sarah MacLeah. Seus protagonistas possuem aquelas características que tantas mulheres gostam, por exemplo, sabe aquele livro onde a mocinha é romântica e sofre um bocado e o mocinho é viril, bonito e meio que turrão? Sim, daqueles que as vezes comete algumas burradas que da vontade de bater e que amamos odiar? Pois é, Manuel tem muitas dessas características, assim, como Matilde. 

Acho que o melhor do enredo é sem dúvida o fato de que a principal causa dos maus entendidos é acometida principalmente pelas atitudes dos próprios protagonistas, sabe?Não é aquela novela em que tem um vilão que comete maldades por cima de maldades e só paga no final. Sem falar que os personagens da novela são pessoas nobres e boas, é normal você se vê em determinados momentos torcendo por Manuel e em outros por Adolfo (faço uma ressalva a esse personagem, um dos melhores da carreira do Mauricio Islas sem dúvida nenhuma).

Por fim, mesmo depois de quase 20 anos, Amor Real ainda é lembrada pelos amantes das telenovelas mexicanas. Sem dúvida nenhuma, a trama é uma das melhores produções da emissora e se tornou um marco da TV mexicana- que pode ver uma versão moderna da trama em 2014 (O que a vida me roubou) com a Angelique Boyer e o Sebastián Rulli como protagonistas. 

Definitivamente, uma das melhores e uma das minhas favoritas. 


RESENHA: Amor Real (2003) RESENHA: Amor Real (2003) Reviewed by Nathalia da Silva on 14:37 Rating: 5

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